A mulher na TI: desafios e oportunidades

Mulher na TI

A mulher é minoria no mundo da tecnologia e isso não é nenhuma novidade. Porém, cada dia mais as mulheres têm conquistado seu espaço no mercado, o que nos leva a reflexão sobre quais os desafios e oportunidades encontrados pelas mulheres profissionais de TI e como superá-los.

Organizações ao redor do mundo vêm criando medidas para dirimir as barreiras que impedem, por exemplo, a equidade de oferta de vagas e de salários entre homens e mulheres.

Na Europa, a Women in Tech faz um trabalho interessante de incentivo à contratação e capacitação de mulheres no mercado de TI. No Brasil, existem iniciativas semelhantes como a Programaria que também fazem essa ponte entre as mulheres.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE (PNAD/IBGE), as mulheres representam apenas 20% dos mais de 580 mil profissionais que atuam na área de TI no Brasil. Isto ainda é muito distante do ideal e ajuda a explicar o fato de vermos poucas mulheres trabalhando em empresas de tecnologia.

Neste Dia Internacional da Mulher queremos homenagear todas as mulheres, mas não podemos deixar de dar um destaque especial às mulheres do mundo de tecnologia, que enfrentam os desafios de conquistar seu espaço em um mercado predominantemente masculino e ajudam a transformar o mundo por meio da tecnologia.

A mulher no mercado de Tecnologia

A luta pelos direitos das mulheres no mercado é antiga e já houve muito avanço nos últimos 100 anos. De modo geral, as mulheres têm lutado para conquistar respeito, espaço e cavar oportunidades no mercado de trabalho, embora muitos dos feitos de mulheres notáveis ainda não receba todo devido crédito.

Um filme interessante que aborda esta temática é “Estrelas além do tempo”, que conta a história de três fortes mulheres que foram essenciais para o sucesso da missão que levou o homem à Lua. Se você ainda não viu este filme, vale à pena conferir.

Filme estrelas além do tempo

Apesar dos avanços, ainda existe uma longa trilha a ser percorrida. Recentemente, uma pesquisa divulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas) revelou que no Brasil o percentual de mulheres que ocupam as cadeiras dos cursos de tecnologia não chega a 20% do total de vagas oferecidas.

Esta estatística nos dá uma pista do porquê as mulheres são minoria absoluta nos cargos de TI. E nos leva a uma outra reflexão: por que o percentual de mulheres que concorrem aos cursos de tecnologia é tão baixo em comparação ao dos homens?

Sob uma análise sociológica, podemos entender que culturalmente a grande maioria das mulheres são estimuladas a desenvolver habilidades humanas e criativas, em detrimento do estímulo ao raciocínio lógico e a descoberta das engrenagens que movem as coisas. Por outro lado, a tecnologia costuma fazer parte do universo masculino desde muito cedo.  

No início da tecnologia da informação, o perfil dos profissionais de TI costumava ser uma espécie de soldado programador, trabalhando de forma isolada, por várias horas e sem muita interação humana. Era basicamente, um programador, um computador e, claro, uma caneca de café!

Entretanto, o mundo mudou e cada vez mais há interseção entre a tecnologia e os negócios, exigindo dos profissionais de TI habilidades sociais, para torná-los capazes de compreender problemas, propor e debater soluções.

A boa notícia, para nós mulheres, é que a transformação digital impulsiona todos os setores da empresa a estarem interconectados. Trabalhar isoladamente não faz mais sentido, uma vez que a tecnologia está presente em todos os setores da empresa.

Paralelo a isto, as campanhas contra o assédio e a discriminação têm ajudado a criar ambientes profissionais muito mais respeitosos para as mulheres trabalharem, contribuir e crescer nas empresas.

Uma série muito interessante que nos ajuda a ter uma visão do quanto as mulheres precisaram lutar para conquistar respeito e espaço no mercado é “Las chicas del cable” (em português, “As telefonistas”), produzida pela Netflix. Neste drama, situado na década de 20, quatro mulheres lutam e passam por dramas pessoais e profissionais para conquistar seu espaço em uma empresa de telefonia.

Série Netflix sobre os desafios das mulheres no mercado de trabalho

 

Movimentos em prol da mulher na TI

A internet tem dado voz a quem antes não tinha expressão e tem dado oportunidade para que comunidades se criem em torno de uma causa comum. É o caso dos movimentos e grupos em prol das mulheres na TI.

No Brasil, a Instituição PrograMaria faz um inspirador trabalho de empoderamento feminino e incentivo ao ingresso de mulheres no mundo da Tecnologia. Com o lema “Aprenda a programar e transforme o mundo”, a instituição promove conteúdo na internet, eventos e cursos, além de dar visibilidade às conquistas e contribuições das mulheres na evolução tecnológica do mundo. Vale à pena conferir este artigo sobre as mulheres que fizeram história na Tecnologia.

Na Suécia, um dos países benchmarking global em termos de equiparação de gênero e equidade salarial, uma organização chamada Women in Tech desenvolve um interessante trabalho de incentivo à contratação de mulheres profissionais de TI. Anualmente, a WIT realiza um evento chamado WIThired, que envolve um ciclo de palestras relacionadas à área de tecnologia, além de enaltecer as empresas engajadas com a equidade de gênero nos setores de tecnologia, ainda propicia o network entre profissionais do ramo e essas empresas.

Desafios e oportunidades para as profissionais de TI

Aqui na Vertigo Tecnologia, temos um time grande de mulheres atuando em diversas frentes do negócio. E, claro, na TI não podia ser diferente. Entrevistamos algumas de nossas colaboradoras e achamos interessante compartilhar a experiência delas com o mercado de TI.

Perguntamos a Cristiane Portugal, nossa gerente de projetos, se passou por algum preconceito por ser mulher.

A Cristiane conta que nunca notou preconceito por ser mulher nas empresas por onde passou. Para ela, o mundo da TI tem predominância masculina, por uma questão de necessidade. Os homens sempre foram maioria nas atividades que exigiam mais foco e atenção e menor interação. No Brasil, na década de 80/90, quando os avanços tecnológicos começaram a impulsionar o surgimento de cadeiras acadêmicas e setores voltados para a TI, parecia muito natural que as habilidades masculinas e a própria demanda do mercado criassem o casamento perfeito.

Na opinião da Cristiane, o maior desafio de uma mulher para ganhar seu espaço no mercado de TI é apresentar-se como uma profissional que pode, tanto ser focada, quanto interagir com outras pessoas, além de desenvolver seus atributos e qualidades, principalmente por ser mulher.

Conversamos também com Emilia Yamabe, nossa coordenadora de projetos. Ela nos contou que se interessou pela área de tecnologia porque era novidade e despertava a curiosidade. Então ingressou no curso técnico profissionalizante de TI, oferecido pela escola no Ensino Médio.

Em sua opinião, existem dois fatores preponderantes para a predominância masculina no mercado de TI: a área de tecnologia necessita de muita dedicação, devido à alta velocidade dos avanços tecnológicos, além de muitas horas de trabalho e muito tempo de estudo.

Para ela, muitas mulheres costumam fazer “jornada dupla”, cuidando da casa e dos filhos e isto torna o tempo de dedicação para estudos e atualizações menor para mulheres do que para homens. Além disso, muitas mulheres acabam abandonando suas profissões, por conta da pressão exercida por essa dupla jornada.

A Emilia nunca percebeu nenhum tipo de preconceito pelas empresas por onde passou. Para ela, o principal desafio da profissional de TI é ser muito mais organizada que a média dos homens, para manter-se atualizada e conseguir se especializar cada vez mais e dar conta dos outros papéis que precisa desempenhar.

Um recado das nossas profissionais de TI

Por fim, gostaríamos de concluir com uma mensagem das nossas colaboradoras, que foram entrevistadas especialmente para este artigo, para aquelas mulheres que pensam em ingressar no mercado de TI.

“Acredite que nós mulheres somos tão capazes quanto os homens, estude muito e dedique-se a profissão.”
Emilia Yamabe, 57 anos. Coordenadora de projetos da Vertigo Tecnologia
Seja você mesma. Sendo mulher, você já tem a vantagem de ver as coisas de forma diferente dos homens. E eles, precisam de nós, sempre!”
Cristiane Portugal, 40 anos. Gerente de projetos da Vertigo Tecnologia.

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Nathália Barreto
Nathália Barreto
Analista de conteúdo na Vertigo Tecnologia